quarta-feira, 6 de julho de 2011

Cronica I

(Por mais que pareça historinha romântica e sem graça, leia até o fim.)
Um casal, aninhado no sofá, desatou em uma conversa romântica pós filme melodramático.
Ela: -Amor, você vai me amar para sempre?
Ele: -Querida, o para sempre é relativo, não é?
Ela: - Por quê?
Ele: -Ora, sabemos que uma hora tudo acaba!
Ela: -Então você acha que nosso amor vai acabar um dia?
Ele: -Eu não disse isso.
Ela: -Ao dizer que "tudo acaba" você generalizou, portanto, disse que nosso amor pode acabar.
Ele: -Eu quis dizer que nada é "eterno".
Ela: -Mas, enquanto durar, pode ser eterno em intensidade?
Ele: -Caramba, você metaforiza demais as coisas.
Ela: -Eu não.
Ele: -Lógico que sim.
Ela: -Chega de conversa fiada, e me responde se você continuará me amando até o fim ou não.
Ele: -Até o fim de quê?
Ela: -Até o fim da vida, então.
Ele: -Isso também é relativo.
Ela: -Por quê?!?
Ele: -Porque até o fim da vida muitas coisas podem acontecer, fazendo com que nos afastemos.
Ela: -Como o quê, por exemplo?
Ele: - Outras pessoas podem aparecer em nossas vidas.
Ela: - Então você seria infiel?
Ele: -Não seria infiel se acabássemos antes.
Ela: -Você está pensando em terminar tudo?
Ele: -Eu não disse isso. Só disse que se antes do fim da vida uma pessoa diferente aparecesse e fizesse mudar nossa situação, isso seria possível.
Ela: -E se sua vida findasse antes disso, eu seria a única em sua vida?
Ele: -Aí creio que sim.
Ela: -Então tá.
Então ela pegou uma almofada que estava no sofá e o sufocou até a morte.

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