A série Glee, lançada pela Fox no ano de 2009, é uma das mais assistidas não só pelos norte-americanos, mas pelo mundo todo. Nela está representada uma espécie de micro sociedade, com divergências de povos etnias culturas, mascarada sob um grupo musical dentro de um colégio de Ohio. Como primeiríssima análise, superficial, parece apenas um seriado musical. Como análise um pouco menos superficial, percebe-se a existência de simbologias ali. E com uma terceira análise, mais aprofundada ainda, pode-se inferir que Glee nada mais é que um artifício imperialista dos EUA, que procuram mostrar sua soberania a qualquer custo.Pode-se fazer uma forte ligação com os contextos de Controle Social. Por exemplo, as normas estabelecidas por aquele grupo, os padrões, o devido respeito a diferença nos grupos faz com que as pessoas se tornem cada vez mais obedientes a um sistema, onde geralmente o sistema é controlado por um só, mais ambicioso, que usa, por trás dessas idéias aparentemente perfeitas, esconde um poder manipulador colossal sobre as mentes das pessoas. Esse seriado também faz parte do contexto de Indústria Cultural e Controle Social (assim como a maioria dos programas televisivos) pois procura de certo modo divertir e alienar todas as faixas etárias, conforme a variedade de personagens (há para todos os gostos e idades), mas que também, por debaixo dos panos, vai manipulando e com aparentes histórias inocentes vai lhe tragando aos poucos, até você se tornar um indivíduo completamente nas mãos deles.
A começar, vamos analisar alguns personagens e seus valores simbólicos.
William Schuester é um professor de espanhol, um pouco fracassado, mas que teve um passado brilhante como cantor do antigo clube glee de sua escola. Ele resolve assumir o atual grupo glee do colégio em que leciona. Note: professor de Espanhol nos remete à cultura hispana, o que nos faz lembrar também da cultura latina. O seriado mostra que ele é fracassado ao dar aulas de Espanhol (liga-se fracasso com cultura hispano-americana) e por isso vai dirigir um coral. Seu passado brilhante se remete à estrela de ser um garoto popular norte americano no colégio. Relaciona-se brilhante com o quê? Garoto popular norte-americano.
Na primeira temporada, William tem uma esposa chamada Terri Schuester, que é a típica madame norte americana, metida e com o nariz empinado, apesar de ser gerente de uma loja de toalhas, panos e lençois. Ela tem um subalterno chamado Howard Bamboo, um latino que foi morar nos EUA, é disléxico e só sabe contar até 30. Seu único dom é sua voz. Como Terri é uma mandona, ela o humilha até não poder mais.
Mercedes é uma jovem protestante negra excluída que encontra seu mundo no coral do colégio. Da mesma forma seu amigo Kurt, um homossexual assumido que sempre enfrentou o preconceito. Talvez os EUA queiram mostrar com esse personagem que ele é um país que abrange esse tipo de comportamento, como forma de se redimir de toda brutalidade que já fez com as minorias, uma vez que mostra que quem é contra(no caso, o valentão,gordo, que bate em Kurt) nada mais é do que um reprimido que queria ser homo também mas tem medo de assumir. Eles não só mostram o garoto, como um casal de garotas populares que são lésbicas.
Há um episódio que mostra todas as religiões, aliás, todas vírgula, não mostra os muçulmanos, uma vez que não há personagens muçulmanos na história (por que será né?) há dois judeus(Rachel e Puck), uma protestante(Mercedes), dois ateus (Kurt, o homossexual a treinadora das líderes de torcida), dois católicos(Quinn,a líder de torcida, e Finn, o jogador de futebol) uma mãe-de-santo(que aparece só em um episódio) e dois budistas(o casal Tina e Mike), um hinduísta(diretor Figgins)mas nenhum muçulmano. E por falar nesses dois budistas, a menina namorava um deficiente físico, mas largou dele para ficar com o outro garoto japonês da escola, como forma de dizer que: japoneses ficam com japoneses, não se misturam, e o resto que se dane.
Também não há russos na história. E, de exemplo de japoneses, somente aquele casal mesmo (isso na primeira temporada), que é tímido e tem medo de enfrentar a sociedade, e talvez representem grande parte da comunidade asiática(coreanos, chineses, todos generalizados, como se não houvesse diferenças culturais entre eles). E árabes, nem pensar. Engraçado que esses três são ou foram inimigos diretos dos EUA...
Sue é uma treinadora que nasceu na Guatemala, mas tem vergonha de assumir isso, por isso conseguiu ter a nacionalidade estadunidense. Ela é uma das vilãs da série, rancorosa, mandona, autoritária,odeia o professor de espanhol Will(percebe-se a analogia professor de espanhol, com colonização espanhola, mas nesse caso, ajudada pelos Estados Unidos, ela consegue ter uma relação de superioridade a ele-que tem medo dela.) só pensa em vencer, tem mágoas, e tem uma irmã deficiente, com síndrome de down, que foi muito caçoada na infância, um dos motivos da treinadora ter tantas mágoas de todos. Por isso,ela (Sue) estabelece como seu braço direito uma estudante com síndrome de down. Note que colocaram a garota especial como assistente,subalterna e só porque a treinadora tem pena, e pelo fato de pesar sua consciência por ter uma irmã assim.
Finn é o típico garoto norte americano bobo e popular, que acaba se simpatizando e se apaixonando pela judia Rachel, que tem o sonho de ser uma estrela. Essa analogia pode ser feita com a parcialidade que a ONU tem por Israel nos conflitos contra os árabes. Há até um episódio onde Rachel conversa com Finn a respeito dos filhos que eles terão, ela dizendo que eles serão judeus, e ele, tão apaixonado por ela, mal presta atenção no que ela diz e aceita numa boa.
Puck é o outro judeu, o pegador, mandão, que se acha, e tem o corpo atlético e sedutor. Ele pega todas as líderes de torcida populares. Ele chega a namorar Rachel por um tempo, uma vez que os pais dele querem que ele tenha relacionamento com uma judia, mas não dão certo. Talvez seja para mostrar que os judeus por si só não dariam certo, e precisam dos norte-americanos.
O indiano hinduísta diretor Figgins é chantageado pela treinadora Sue que quer todas as verbas da escola para ela. Por isso ela vive fazendo ameaças ao diretor, encontrando fotos comprometedores dele e o chantageando dessa forma. Ele, apesar de não gostar de liberar o dinheiro para ela, temendo as ameaças acaba por fazê-lo. Essa analogia pode ser feita pelo fato de os EUA ameaçarem os países inferiores a liberar verba, mas estes mesmos não estão dispostos a sacrifício nenhum para liberar a verba deles (EUA).
Na segunda temporada, logo no primeiro capítulo, entra mais uma japonesa na escola. A principio, Rachel, a judia, começa a fazer amizade com essa garota, mas quando percebe que a asiática tem potencial, sobe certa inveja à cabeça de Rachel e ela tenta destruir a asiática de todas as formas, até que consegue fazer a asiática mudar de escola. Pode-se fazer uma analogia a respeito de que,os judeus, aliados dos Estados Unidos, podem vencer qualquer um.
Na segunda temporada também entra um típico playboy metido, que começa a namorar a principal líder de torcida, que antes namorava o principal jogador do time de futebol. Bem típico de séries norte-americanas, mostrando aquele estereótipo de garotos e garotas populares perfeitos.
No seriado, eles mostram o clube glee, ao final da primeira temporada, perdendo uma competição, mas bem ao final os mostram felizes e se divertindo, e tendo a esperança de um recomeço. Isso quer passar uma mensagem de que você deve aceitar que você perdeu,e, mesmo que você não ganhe, você deve ficar feliz e esperar pacientemente pela próxima vez(outra forma de controle social, modelando indivíduos a aceitarem passivamente a derrota) Também mostra uma das líderes de torcida, que engravidou jovem, podendo ter a chance de entregar seu bebê a alguém bom para cuidar da criança, e a líder de torcida teve a chance de se recuperar emocionalmente e retomar sua vida. Nisso se vê um forte apelo emocional que a mídia proporciona a fim de que o telespectador se mobilize com a história, a fim de dar mais audiência ainda à série.
Também mostram o estereótipo de uma garota loira, bonita, mas completamente burra, mas tem todos os garotos. E o estereótipo de nerd para o garoto especial, da cadeira de rodas. Ou seja, vai aí a mensagem: seja burra e você terá todos que quiser.
E também há a treinadora do time de futebol, Bestie, de origem francesa, que é meio mal tratada ali pelos demais professores (vê-se aí a relação de poder entre norte-americanos e europeus).
Por todos esses estereótipos,e por toda essa máscara que os EUA andam utilizando para manipular várias faixas etárias de uma vez só por meio de um aparentemente inocente seriado, onde se vê o processo de legitimação sendo efetivado, pois é percebido que há o controle por meio da persuasão.